Mestre Jonas lança seu primeiro trabalho solo no Stereoteca

25/09/2008 ás 13h46

Nascido e criado nos morros de Belo Horizonte, o violonista, cantor e compositor Mestre Jonas traz, na efervescência do samba, a harmonia e sofisticação do violão brasileiro. Morador do Aglomerado da Serra, o maior aglomerado de vilas e favelas da capital, o artista mistura jazz, samba, frevo e maracatu numa linguagem genuinamente brasileira, com sofisticação na harmonia e suinge. Filho de mãe-de-santo, foi criado vendo e ouvindo as Folias de Reis, as congadas e festa de Nossa Senhora do Rosário, rodas de pagodes, capoeiras e desafio de repentistas.

Mestre Jonas já tocou ao lado de grandes nomes da MPB como Luiz Melodia, Moacyr Luz, Nei Lopes, Hermínio Bello de Carvalho, Titane, Ângela Evans e Chico César. Produziu vários espetáculos e shows como: "Na Contramão do Avesso", "Tronco", "Bolero No Morro", "Macaia", "Trilogia dos Tambores Brasileiros", "Espiral", "Lobatu", entre outros. Atualmente, tem feito trabalhos paralelos com artistas de outros estados, fazendo a conexão com o samba mineiro e carioca no projeto "Samba do Compositor", com os compositores Miguel dos Anjos e Dudu Nicácio, e o "Samba da Madrugada", com os músicos e compositores Dé Lucas, Nego Veio, Janaína Moreno, Mário Moura e Rudnei Carvalho.

Dedicado à pesquisa do samba brasileiro e sua intertextualidade com ritmos e culturas do continente africano, Mestre Jonas nunca se considerou um sambista típico. "O Renato Teixeira sempre me chama de 'Sambêro'. Vi que esse 'bêro' tinha um som brejeiro, matuto, mineiro, religioso. Com esse nome me senti mais a vontade e legitimamente brasileiro", explica o artista.

Em Sambêro, Mestre Jonas lança um olhar sobre a canção brasileira e a influência africana na sua formação, como fizeram Vinícius e Powell no álbum "Afro-Sambas" (1966), seguindo uma trajetória por onde também já passaram Moacir Santos, João Bosco, Sérgio Santos e Nei Lopes. O disco, no entanto, não se prende somente ao samba, unindo o jongo, o maracatu, o frevo, e trazendo também influências do jazz. Dividem as composições com Mestre Jonas artistas mineiros como João Antunes, Dudu Nicácio, Makely Ka, Tadeu Morais e Thiago Delegado. Participam como convidados especiais as cantoras Titane, Silvia Gommes e Carol Araújo, além do cantor Sérgio Pererê. Os arranjos são de Rafael Martini.

O sexteto "Lobatu", grupo que acompanha Mestre Jonas, é formado por Marco Antônio Daniel (trompete), Rafael Martini (piano e violões), Pedro Trigo (contrabaixo), Mateus Bahiense (bateria), Jonas Vitor (saxofone) e Alaécio Martins (trombone). O conjunto foi formado especialmente para o projeto do disco e seu nome é uma homenagem a um velho morador da cidade de Candeias, na Serra do Cipó.

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