Transmissor, revelação do rock mineiro no Stereoteca

20/08/2008 ás 19h25

Apesar de o Transmissor ser uma banda nova, os seus integrantes são velhos conhecidos na cena musical belorizontina pelo trabalho com outros grupos. A banda foi idealizada em Los Angeles, onde Leonardo Marques (Voz, Baixo, Piano de Cauda, Piano Rhodes, Violão, Trumpete, Guitarra) e Thiago Corrêa (Voz, Guitarra, Violão e Baixo) integravam a banda Udora (ex-Diesel). De volta a capital mineira, os dois se juntaram aos músicos, Pedro Hamdan (Bateria e Percussão), do mordeorabo; Jennifer Souza (Voz, Ukelele, Guitarra), do Cinza; e o produtor musical Henrique Matheus (Guitarra, Violão, Baixo, Cavaco, Alaúde e Backing Vocal).

Em Agosto de 2007, lançaram o EP "Primeiro de Agosto" e o single "Aquática". Logo depois, deram início à produção do primeiro disco. O Transmissor integra também o projeto "Combo" (com os grupos monno e Dead Lover's Twisted Heart) e, recentemente, foi a banda selecionada na "Prévia Circuito Mineiro de Música Independente", o que lhe garantiu uma vaga para se apresentar no festival Jambolada 2008, que acontece de 12 a 14 de setembro, em Uberlândia (www.jambolada.com.br).

 

O álbum é fruto da saudade e desejo de Thiago e Leonardo em fazer músicas em português e desenvolver um trabalho que tivesse referência na música brasileira, como a bossa-nova. Durante os cinco anos em que moraram em Los Angeles, a movimentada vida de Hollywood e a distância fizeram com que despertassem a vontade de compor músicas em português. Nos Estados Unidos, gravaram em grandes estúdios e acumularam experiência ao lado de renomados produtores como Matt Wallace (Marron 5, Faith no More, Stone Temple Pilots) e Thom Russo (Audioslave, System of a Down, Michael Jackson).

A origem do nome "Sociedade do Crivo Mútuo" declara a intenção do grupo em buscar um diálogo onde todos mostrem suas composições e opiniões. "É uma sociedade aberta, todos os músicos podem deixar o ego de lado e expor suas idéias e ouvir criticas mutuamente", afirma Thiago. Leonardo Marques acrescenta: "Apesar de a metade das músicas ter sido composta enquanto eu e o Thiago estávamos tocando nos Estados Unidos, a banda formou sua identidade durante a gravação, em Belo Horizonte, com todos os integrantes", completa.


Agora que a banda também foi a vencedora das seletivas do festival Jambolada vocês pretendem iniciar o circuito de festivais independentes? Há planos para uma turnê?
Thiago: Nossa vontade é tocar bastante. Nos divertimos nos shows, gostamos do contato com o público. Queremos mostrar o disco para o maior número de pessoas e festivais são uma grande oportunidade de fazer exatamente isso. Para uma banda nova e independente, turnês são um tanto complicadas, dependem de muita coisa que só se alcança com o tempo, mas estamos fazendo contatos com festivais e aceitando convites para tocar fora de BH.

Como funciona o projeto Combo e qual a importância dele, na opinião de vocês?
Thiago: O Combo é um desejo antigo que a gente conseguiu colocar em prática com muito trabalho. Muito se fala da organização da cena independente, união de forças entre as bandas e coisas do tipo. Nós acreditamos que tudo isso é importante de verdade mas antes de tudo, precisa haver uma afinidade entre as pessoas envolvidas. Tem a ver com admiração e respeito pelo trabalho uns dos outros. O Combo reúne isso tudo. São três bandas formando um grupão de amigos que se gostam e querem rodar o Brasil mostrando um pouco do que acontece aqui. Tivemos uma boa aceitação em São Paulo, acabamos de promover um ótimo evento em BH e temos planos pra Vitória e Rio em breve.
A parte boa na minha opinião é que as bandas são responsáveis por tudo, desde a portaria e montagem do palco até a divulgação, confecção de material gráfico, etc. É um pouco daquele discurso de parar de reclamar e fazer com as próprias mãos.

Apesar das diversas influências presentes no álbum, existem algumas que se sobressaem? Quais seriam elas?
Thiago: Eu acredito que esse álbum começou de um jeito e terminou de outro. No começo ouvíamos umas coisas diferentes do que ouvíamos no final, já que o disco foi feito ao longo de um ano. Hoje, acho que tem muita coisa melódica do clube da esquina que a gente ouve, além de bandas como Wilco e Radiohead.

Atualmente há um crescente movimento na cena musical independente, através do qual as próprias bandas cada vez mais estão envolvidas em todos as etapas do processo de produção. Como o Transmissor se posiciona nesse panorama?
Henrique: Com a gente não é diferente. Fizemos a produção do disco, a arte do CD, a maior parte da gravação foi feita em nosso estúdio.
Mas isso não foi uma opção e sim uma necessidade. Acho perigoso se afundar na parte burocrática e esquecer do principal, as composições, a parte artística que é o que realmente deveria caber à banda.
De qualquer forma achamos que tem que ser assim mesmo, as bandas têm que botar a mão na massa, delegar funções a cada integrante e correr atrás porque no começo ninguém fará isso por nós.

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