Amparado pela produção e os arranjos de Ruy Quaresma, da gravadora Fina Flor, e acompanhado por alguns dos melhores músicos cariocas, Miguel dos Anjos lança seu primeiro CD, depois da gravação de três discos demo na cena do samba belo-horizontino. Além apresentar canções de sua autoria, Miguel retoma alguns tradicionais sambas dos mestres da velha guarda do Rio de Janeiro. Do compositor Noel Rosa, Miguel pinçou "Quando o samba acabou", revisitando a canção em formato narrativo. De Paulinho da Viola, "Coisas do mundo, minha nega", saiu em versão regida por uma batucada, conduzida pelo atabaque e pelo trombone. Miguel ainda garimpou o primeiro samba de Milton Nascimento, "Canção do Sal", que tocada com arranjos de Ruy Quaresma, reaparece na forma de Baião.
"Esse samba todo é nosso" é uma mescla de composições de outros artistas que são referência na história do samba, como João Bosco, Aldir Blanc, e Vicente Paiva. O disco foi gravado por uma verdadeira Big Band, na qual são tocados 15 instrumentos, indo do tradicional violão de sete cordas, ao piano e saxofone.
Confira abaixo a entrevista realizada por email com o cantor:
Em seu novo trabalho, prevalecem canções de sua autoria ou você se concentrou no trabalho de intérprete? Por que?
Concentrei no trabalho de intérprete. O que direcionou essa escolha foi o próprio título do CD. Se 'Esse samba todo é nosso', não dá para deixar de lado compositores que canto desde criança e que me inspiram quando componho. Seria impossível incluir todos, mas uma parte significativa das minhas influências pode ser encontrada no repertório escolhido.
Como se deu a parceria com a Fina Flor?
Durante os últimos anos, tive a oportunidade de dividir o palco com vários artistas cariocas nos shows que fiz em Belo Horizonte: Hermínio Bello de Carvalho, Dorina, Moacyr Luz, Luis Carlos da Vila, Nei Lopes, Walter Alfaiate - esses dois últimos, artistas da Fina Flor. Foi a partir desses contatos que surgiu o convite para ser contratado pela gravadora e gravar meu primeiro CD.
Você está fora de Minas há quanto tempo? Quais as principais diferenças sentidas entre o cenário musical mineiro e o daí?
Estou morando no Rio de Janeiro há sete meses. Ainda é cedo para uma análise mais profunda pois durante esse tempo me dediquei mais à gravação do CD e somente agora comecei a fazer shows. O que eu posso dizer é que fui muito bem recebido tanto pelos colegas artistas, quanto por produtores, imprensa e público.
Quais parcerias você têm em seu novo CD e como elas se deram?
Dois dos mais constantes compositores com quem eu tenho parcerias estão presentes nesse trabalho: Mestre Jonas e Mário Roberto Ferreira.
O Mestre Jonas eu conheci durante as reuniões musicais que antecederam os shows do projeto 'Reciclo Geral', uma Mostra de Composições Inéditas que aconteceu em 2002 no Reciclo, em BH. Foi o Dudu Nicácio quem nos apresentou. Além de composições temos vários projetos juntos. Os de maior destaque são o 'Samba do Compositor' e o 'Samba da Madrugada'.
O Mário Roberto é o mais antigo a compor comigo. Ele lançou seu livro de poemas 'Delírio de Poeta', que mais tarde eu transformei em música, quando eu tinha uns quatorze anos, na nossa cidade natal, Dom Silvério (MG). Nessa época eu já participava de festivais e resolvi compor uma música para homenageá-lo - nasceu então 'Poetar', que cantei no tal lançamento. De lá para cá não paramos mais de compor juntos.
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