Confira o depoimento de Deco Lima sobre sua carreira e a parceria com o Combinado.
"Minha primeira banda foi o ALMA CIBORG (1987-1988), que era uma banda bem performática. A gente achava que era punk, mas éramos um bando de tropicalistas. Havia dois trompetes na formação e eu tocava baixo - desprendimento total. No repertório tocávamos dobrados, marchinhas, rock, intercalados com poesia marginal. O que era muito divertido e ousado para a época. Nossas influências eram bandas como: THE CLASH, TALKING HEADS, TOM WAITS, LINTON K.J., THE ESPECIALS, PAULO BARNABÉ, ITAMAR ASSUNÇÀO, MERCENARIAS...
Minha segunda banda foi o ELETRICA UZIFUR (1999-1997), que se formou da dissidência do alma. No ELETRICA conseguimos agregar à nossa música uma sonoridade mais rock, influenciados por bandas como: DEAD KENNEDYS, SUICIDAL TENDENCIES, RED HOT CHILLI PEPPERS,BEASTYE BOYS...
Em um segundo momento, a necessidade de inserir elementos da música brasileira
foi se tornando cada vez mais forte. Era o início dos anos noventa 90, época em que
existiu toda uma tendência de misturar ritmos diversos, punk rock com baião, samba com heavy metal, hip hop com maracatu, etc, o que contribuiu para o desenvolvimento da linguagem musical do Elétrica e do que faço hoje.
O Elétrica chegou a vender 200 unidades de um demo-tape intitulado "A CULPA
É DO PARQUE". Venceu o festival "CANTA MINAS" em 1995 com a música "Som De Oração" (Deco Lima) e foi convidado da REDE GLOBO para participar do centenário da cidade com a música "Belo Horizonte".
Minha terceira banda foi o CHARANGA VODU (1998-2000). A idéia do CHARANGA era trazer de volta o banquinho e o violão junto com guitarras ruidosas, somadas a uma poética urbana. Música brasileira ao avesso, ácido samba.
Foi a banda em que assumi os vocais e tive cabelo rasta. O CHARANGA tocava nas
melhores casas da cidade e chegamos a fazer shows com bandas como MUNDO
LIVRE S.A, O RAPPA ,PEDRO LUIS E A PAREDE, BERIMBROW.
Hoje, DECO LIMA E O COMBINADO é o lugar aonde toda essa busca por uma linguagem acontece de uma forma mais tranqüila e madura. Contém e esta contido. A música consegue transitar por vários caminhos sem perder a identidade.
As canções "Fala Para Mim" e o "Samba Mandou" são dois bons exemplos disso, hip-hop na levada eletrônica samba funk, com sonoridade jazzística e pegada rock. Outro bom destaque é a música "Não Sou Agente Do Mal", que nos remete a uma mistura de Nelson Cavaquinho com Tom Waits numa espécie de samba de fim de mundo. Na verdade é um trabalho que passou por todas essas formações e chegou aqui. Tem músicas que compus dez anos atrás e músicas recentes. No mais, o que importa mesmo é a máxima 'o combinado não sai caro'."
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